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por Maria Inês Felippe – 

“São poucas idéias que nascem perfeitas, sempre é preciso adequá-las, assim como em criatividade não existem erros e sim ensaios.”

Criatividade e qualidade de vida. Temas são interessantes no contexto atual, em cada vez mais temos que ser criativos para termos uma razoável qualidade de vida.

Quando digo qualidade de vida, não estou somente referindo-me a alimentação e prática de esportes, ou seja, a saúde física, mas também a saúde mental. Cada vez mais temos que ser criativos, no mundo de transformações devemos buscar novas formas de aumentar nossa renda, garantir e conquistar a empregabilidade, tentar solucionar problemas do dia a dia, criar e desenvolver novos produtos, apostar em formas diferentes de atender clientes.

A criatividade possibilita contribuir socialmente neste mundo de transformações, criando novos produtos, serviços, gerando empregos. As empresas devem buscar não somente e sobrevivência, mas também sua expansão. Sendo, assim, a Criatividade é fundamental e para tal o ambiente de trabalho e a liderança deverá ser favorável para a criação.

A gente sonha em acordar devagarinho, espreguiçar com cautela, curtindo os movimentos, tomar um banho e sentir a água correndo pelo corpo, colocar a roupa que gosta, sentir-se bem, ler o jornal, tomar um café gostoso, pegar o ônibus que chegou logo, ir sentado, apreciar o trajeto, pensar na vida, ver as pessoas.
Em ambientes excessivamente rígido os funcionários não se sentirão animados a defender novas idéias.

Obviamente que nem sempre temos um ambiente propício para a criatividade, mas nos programas de treinamento temos identificado uma certa abertura por parte das pessoas para propiciar este ambiente mais favorável.

Geralmente tratamos da criatividade pessoal, pois acreditamos que a maior barreira que as pessoas possuem em relação ao tema faz parte da sua forma de pensar, de seus modelos mentais e que muitas vezes nós mesmos bloqueamos a nossa própria criatividade, algum considerando-se pouco ou nada criativos, e percebemos que a iniciativa e a criação depende exclusivamente de uma predisposição puramente pessoal.

Nos programas sempre questiono: Quanto tempo faz que você não muda os quadros da paredes da sua casa? Não digo comprar, mas colocar em outro lugar ou outra posição? E sua cama no seu quarto? E sua forma de dormir? O percurso para o trabalho? São questões que fazem refletir e que o ato de criar depende exclusivamente da pessoa e não necessariamente de fatores externos.

A criatividade possibilita viver melhor, perceber os acontecimentos de forma diferente, buscar soluções para seus problemas, tanto de ordem pessoal como profissional.

Convidamos as pessoas a destruírem mentalmente os procedimentos do dia a dia, nosso roteiro, nossa forma de fazer as coisas, de viver, estimulando a buscarem novas respostas, sempre no plural.

Temos sempre que pensar em fazer de maneira diferente, melhorar os negócios, agregando valor a organização. Estamos na era do robotismo, dos descartáveis, uniformização na era do ter e não ser, e isso não vejo como tão favorável para o ser humano.

Por isso é muito importante treinar a criatividade. Ela é um comportamento totalmente aprendido; todos são criativos, só que por questões educacionais, familiares e empresariais as pessoas deixam de ser. Assim como fazemos academia de ginástica, exercitando o corpo, temos que estimular o cérebro identificando problemas e erros; e consequentemente criando soluções.

Praticar o uso da criatividade eleva a produção, abaixa custos e aumenta a satisfação do cliente e a auto-estima do trabalhador. Mas para isso temos que pensar em programas orientados a resultados e não somente à geração de idéias. É importante trabalhar, além da geração de idéias, classificação, mensuração, a decisão na implantação, avaliação e reformulação.

Quando a empresa investe em programas de treinamentos, o retorno é garantido, desde que sejam bem elaborados. Quando isso acontece as pessoas evoluem e consequentemente a empresa melhora se souber aproveitar. Para isso não devemos desconsiderar a importância dos processos de liderança como agente facilitadores do processo criativo.

Participei de um trabalho numa empresa, onde o negócio principal é o lançamento de produtos, campanha publicitária, etc. Era incrível, durante as reuniões os participantes apresentavam várias idéias inovadoras, fantásticas, mas na hora de implantá-las, sempre acabavam repetindo a receita da campanha anterior.

Cabe ressaltar que são poucas as idéias que nascem perfeitas, sempre é preciso adequar, assim como em criatividade não existe erros e sim ensaios. Cada vez mais os dois temas Qualidade de Vida e Criatividade estão entrelaçados e não consigo identificar quem nasceu primeiro, como o ovo e a galinha.

UM “CASE” INTERESSANTE – FESTO – AUTOMAÇÃO

Recentemente participei de um programa Qualidade de Vida realizado na empresa Festo de Automação, em que desenvolvi um módulo no Programa “Criatividade e Qualidade de Vida”.

A empresa resolveu investir nesse programa porque acredita que melhorando a qualidade de vida dos colaboradores, também melhoram o desenvolvimento das atividades e os relacionamentos interpessoais.

Através de atividades de controle mental, criatividade pessoal e aulas de artesanato, a Festo vem inovando, proporcionando aos funcionários aprender tecnicamente sobre criatividade, correlacionando com o seu dia a dia, tanto na vida pessoal como organizacional.

Nos processos de criação todos são importantes e nos treinamentos é importante trabalharmos com os personagens da criação, respeitando e desenvolvendo suas diferenças individuais.

– O que o trabalho diferenciou-se no mercado?

1- Quando falamos de Qualidade de Vida, na sua grande maioria as empresas preocupam-se com a saúde física dos trabalhadores, promovendo Ginástica Laboral, Controle Alimentar, etc. Percebo que a Festo inovou trazendo atividades voltadas a saúde mental do trabalhador e não somente à física. Durante o programa de criatividade associada ao artesanato e teatro as pessoas foram descobrindo-se como pessoa, seus potenciais, e acima de tudo capazes de criar, transformar, reciclar, desenvolver, etc.

2- Outro aspecto é a ousadia dos profissionais de RH em implantar um trabalho desta categoria numa empresa de cultura alemã.

– Como o mercado está reagindo em relação ao tema?

Os dirigentes das empresas estão chegando à conclusão de que seus funcionários merecem viver melhor. Prova disso é o investimento em iniciativa, como temos observado, para melhorar a qualidade de vida de seus colaboradores e seus familiares, assim como a procura de programas de treinamento.

Estudos apontam que investir em funcionários possibilita resultados extremamente positivos no desempenho das atividades profissionais e consequentemente no progresso da empresa.

Oferecer informações quanto à alimentação correta, à prática de esportes, ginásticas, campanhas anti-tabagismo, drogas e stress, criatividade pessoal, etc. Programas desse tipo são responsáveis pela diminuição do turnover, absenteísmo, aumento da produtividade e melhoria de relacionamento na vida pessoal e profissional dos integrantes da organização.

O objetivo maior é oferecer uma vida melhor para seus colaboradores e ao mesmo tempo motivá-los na realização de suas tarefas, assim como criar novas formas de trabalho. Os programas possibilitam uma abertura para o progresso e aquele que não busca a melhoria não se renova, desarticula-se do contexto e dificilmente se adapta às novas situações com facilidade.

Tratar do tema Criatividade nas empresas é um assunto importante, cuidadoso, pois temos que pensar em criatividade pessoal e empresarial simultaneamente. Cabe ressaltar que um passo inicial é o desbloqueio dos Modelos Mentais, que são os pressupostos e visões do mundo profundamente internalizado e que influenciam no nosso comportamento e decisões.

Nesses trabalhos aprendemos a voltar o olhar sobre nós mesmos e a descobrir nossa visão do mundo e mantê-la sob análise constante para não cairmos na mesmice de sempre.

Maria Inês Felippe
Psicóloga, Especialista em Adm. de Recursos Humanos e Mestre em Desenvolvimento do Potencial Criativo pela Universidade de Educação de Santiago de Compostela – Espanha. Palestrante e consultora em Recursos Humanos, Desenvolvimento Gerencial e de equipes, Avaliação de Potencial e competências. Treinamentos de Criatividade e Inovação nos Negócios. Palestrante em Congressos Nacionais e Internacionais de Criatividade e Inovação e Comportamento Humano nas empresas. Vice Presidente de Criatividade e Inovação da APARH. Visite seu web
Site: www.mariainesfelippe.com.br
E-mail: [email protected]

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Eijy Goto

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