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O Rabino Abraham Twerski  usa o exemplo da lagosta para explicar a importância da reação.

Ele diz: A lagosta é um animal mole, que vive dentro de uma concha rígida e essa casca grossa não se expande. Bem, como a lagosta pode crescer? À medida que a lagosta cresce esta concha fica muito apertada. A lagosta se sente sob pressão. É desconfortável. Então ela vai debaixo das pedras para se proteger dos predadores, se liberta da casca e produz uma nova. E de novo quando ela crescer, essa casca ficará apertada. E ela volta para debaixo das pedras.

   A lagosta repete isso algumas vezes. O estímulo para que a lagosta possa crescer é que ela se sente desconfortável. Se as lagostas tivessem médicos, elas nunca cresceriam. Por que assim que ela se sentisse desconfortável, o médico daria Valium, ou outro remédio, e ficaria “tudo bem”.

    Ela nunca sairia da concha. O que temos que perceber é que tempos de stress também são momentos que sinalizam o crescimento e, se usarmos a adversidade corretamente pode-se crescer através dela.

A pressão que a lagosta sofre e, a forma como ela utiliza o sofrimento para alavancar seu crescimento é de fato uma rica aprendizagem.

Lembro-me da minha infância e da importância fundamental da forma como a minha mãe reagia às dificuldades. Ela sabia o quanto, determinadas situações, eram quase desumanas para uma criança, mas ela sorria e nos impulsionava para frente.

A naturalidade com que ela tratava o caos fazia com que eu e meus irmãos enfrentássemos tudo, brincando. Nós não tínhamos ideia que estava difícil, era aquilo e pronto.

Permitam-me dar um exemplo. Nós morávamos a 3 km da escola e fazíamos o trajeto a pé. Para chegar a tempo da aula, saíamos de casa no escuro. Era muito difícil ir à escola nos dias gelados de inverno. Mas a mãe com muita sensibilidade e amor, agasalhava os quatro filhos para que fizessem o trajeto com altivez e autoestima elevadíssima. Lembro que eu me sentia o máximo! A mãe fazia com que nos sentíssemos acima da média.

Ela dizia que éramos fortes, inteligentes, saudáveis, capazes, enfrentadores e, acima de tudo, especiais, afinal dizia:

– Quebrar gelo na estrada é para poucos.

Quando comentava que minhas extremidades haviam gelado no caminho para escola, ela sorria me abraçava e expressava orgulho pela filha forte que havia gerado. De forma alguma sentia pena, mas sim gratidão pela vida e pela oportunidade de poder oferecer aos filhos o estudo.

Ela entendia que através do estudo os quatro filhos encontrariam a missão da alma.

Com quatro aninhos, iniciei a aprendizagem na arte do enfrentamento. Eu ia até o limite e, queria mais.

Queria contar as mazelas vividas pra mãe e receber dela aquele olhar! Aquele em que expressava amor e orgulho por mim.

Abrir caminho para vida na geada e na neve, e por vezes no calor acima de 35 graus, mantendo a cabeça erguida o peito pra frente e uma gratidão imensa, me fortalece até hoje. Recebi uma dádiva. Minha mãe é uma dádiva na minha vida ela hoje com 80 anos, ainda nos abraça e nos encanta com aquele olhar, aquele em que ela expressa amor e orgulho.

Cada passo, cada queda, cada lágrima, cada conquista, cada dificuldade ela diz: Respire fundo, sorria e afirme com toda certeza do mundo: Só isso? Isso não é nada! Vou enfrentar!

Assim sou eu, um tanto lagosta. Reconheço quando a pressão está se agigantando, mas aí acesso imediatamente minha criança interior, e com ela traço estratégias inteligentes para enfrentar o impossível.

Aprendi com minha mãe, que o impossível está na nossa mente o que significa que não é uma realidade. A realidade pode trabalhar a nosso favor, basta não sentir-se um derrotado e sim um orgulhoso de si mesmo.

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