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Rea Dennis australiana e PhD em teatro aplicado, tem vinte anos de historia como consultora de artes e desenvolvimento. Presta consultoria em nível internacional. No Brasil, a Scripti Arte e Desenvolvimento Organizacional tem Rea Dennis como consultora associada para casos de projetos especiais.
A consultoria de desenvolvimento artístico de Rea relaciona-se com a aplicação de metodologia de teatro e dramaturgia para complementar o desenvolvimento humano, comunitário e organizacional. Ela combina teatro playback, improvisação e processos de história base, e muitas vezes música, canto, sonoplastia e filmes. A filosofia de trabalho de Rea personifica a idéia de que dramatização e a apresentação artística como teatro playback cria um ambiente no qual os participantes desenvolvem as habilidades de ouvir, alinhamento de grupo ao contexto, compromisso e coragem frente aos desafios e mudanças organizacionais repentinas, comuns no mercado corporativo. Rea deu essa entrevista ao Portal em sua recente visita ao Brasil para efetuar palestra em São Paulo.


Portal  Quais são os objetivos da sua vinda ao Brasil para realizar esse trabalho tão exclusivo?
Rea Dennis – O evento tem o apoio e está sendo organizado por alguns profissionais do Brasil, conhecidos como playbackers, que são filiados à associação mundial IPTN (International Playback Theater Network), com o intuito de desenvolver altos níveis de qualidade da técnica no país e unir a comunidade de profissionais na América Latina e no Brasil. De fato, a união entre aqueles que dominam a técnica é muito mais presente nos Estados Unidos ou Europa. Esse fato foi muito discutido no Internacional Playback Theatre Festival – ocorrido entre os dias 16 e 19 de agosto, em São Paulo. Nós tentamos tornar a comunidade brasileira mais próxima das outras com esse trabalho.


Portal  O seu workshop foi exclusivo para os praticantes do teatro playback. O que foi abordado nesse workshop?
Rea Dennis – O workshop teve como objetivo ganhar níveis ainda mais elevados da aplicação da técnica playback teatre no país por profissionais já iniciados nessa técnica no Brasil ou mesmo formados em liderança pelo Vassar College (EUA). Trata-se da oportunidade de refinar a técnica através das informações coletadas em outros países e experimentações e combinações de técnicas obtidas pelas minhas pesquisas de campo. Eu utilizo uma combinação de métodos artísticos, indo do treinamento corporal e orientações teóricas, objetivando atingir a “ensemble performance” (ensemble é um verbete em inglês, utilizando no meio artístico pelos músicos de jazz. Não há exata tradução em português para esta experiência, mas está relacionado a todas as etapas, detalhes e componentes que se deve dar atenção para que o “conjunto da obra” jazzística se estabeleça no palco). Por exemplo: desenvolvimento de uma capacidade plena de ouvir atentamente, ou o desenvolvimento da chamada “visão periférica” muito conhecida em teatro. Esses são requisitos necessários para garantir a sensação de “conjunto” no palco. Dessa forma, o tema deste primeiro workshop no Brasil foi “Bringing the story to life: playback theatre and the ensemble performance”. (Dando vida às histórias: Playback Theatre e o trabalho em grupo) – em tradução livre.


Portal  Qual a sua opinião sobre as empresas unirem arte e negócios como forma de desenvolvimento e capacitação de pessoal?
Rea Dennis – São empresas de vanguarda. Eu acredito que a integração de métodos reflexivos dá aos participantes maior base para entenderem suas escolhas e as ideologias que sustentam suas ações. Treinamentos tendo a arte como principio criam um ambiente no qual o relacionamento de cada participante com eles mesmos torna-se o aprendizado central. Métodos como teatro e ação geralmente alimentam isso automaticamente, pois os participantes são chamados a negociarem a resolução de problemas, a explorarem possibilidades e também a testarem idéias em contexto mútuo. Isso se traduz em um ambiente desenvolvido para impulsionar a curiosidade, o questionamento e a auto-responsabilidade, tudo isso lado a lado com a tomada de risco e criatividade, a reflexão crítica e a participação ativa em formar grupos de trabalho. É uma nova economia na qual os seres humanos são ponto central.


Portal  Você acredita que essa união é uma forma de democratizar ou popularizar a arte e torná-la mais acessível a todo tipo de pessoas?
Rea Dennis – Sim, eu acredito. Principalmente no Brasil. É sabido que apenas um pequeno percentual de trabalhadores brasileiros tem a chance de estar em contato com arte. Práticas artísticas nas empresas são uma alternativa. Pode ser entendido como parte da contribuição de responsabilidade social da empresa.


Portal  Desenvolver pessoas por meio da arte, mais precisamente por meio do teatro playback, é uma tendência? Por quê?
Rea Dennis – Sim, certamente. Muitas das empresas que você encontra no ranking das “Melhores Empresas para você Trabalhar” fizeram ou fazem algum programa de arte para desenvolver a empresa. Outro exemplo é o programa chamado “catalisador”, que foi lançado especificamente pela Lever Brothers, um pouco antes da fusão da Elida Fabergè, que ocasionou uma mudança estratégica organizacional também, uma mudança cultural completa do Grupo Unilever, o que ajudou a definir a nova cultura corporativa para as duas companhias. Ou também você pode ver a arte como uma ferramenta para facilitação da abordagem de grupos sobre assuntos em voga nas corporações hoje como assédio moral e sexual, intimidação e sabotagem.

 

Portal  Que tipo de empresas estão mais preocupadas em ensinar, treinar ou desenvolver pessoas por meio da arte, com o trabalho do teatro playback? Existe uma tendência em setores, nichos de mercado ou nacionalidade de empresas, por exemplo?
Rea Dennis – Arte é uma grande ferramenta para todo o tipo de empresas, mas especialmente para as empresas ditas na “Era do Conhecimento”. São empresas que trabalham com produtos intangíveis, que fazem dinheiro através da inovação, através de novas idéias e conceitos. É sabido que a nova economia vem das novas idéias muito mais que das máquinas. O segmento de serviços é outro nicho, pois eles estão sempre buscando um alto nível de performance junto ao atendimento ao cliente. Fora do Brasil – na Austrália, por exemplo – você também pode ver empresas governamentais usando arte para desenvolver pessoas, como o Australlian Postal Service, o Queensland Treasury, o Queensland Public Sector Management, e o Queensland AIDS Council.


Rea Dennis
Australiana e PhD em teatro aplicado, tem vinte anos de historia como consultora de artes e desenvolvimento. Presta consultoria em nível internacional. No Brasil, a Scripti Arte e Desenvolvimento Organizacional tem Rea Dennis como consultora associada para casos de projetos especiais
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