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por Luciane Crippa e Sabrina Duran (Revista SeuSucesso) – 

Motivação

Só cumpre o trabalho da melhor forma possível quem é motivado. Essa é uma qualidade essencial aos profissionais de hoje.

Esqueça aquela imagem das empresas levando palestrantes famosos para motivar a equipe ou levando a equipe para um encontro motivacional em algum hotel-fazenda. Os especialistas são unânimes em afirmar que motivação é algo de dentro para fora, intrínseco à pessoa. “O ambiente externo pode atrapalhar a motivação, mais do que ajudá-la”, diz a sócia da consultoria NeoConsulting Cristina Almeida. “Costumo dizer que se a pessoa levantou da cama, se arrumou e foi para o trabalho, ela está motivada. Se ninguém atrapalhar, ela continuará motivada até o final do dia”, brinca a professora de administração de conflito do MBA da Fundação Armando Álvares Penteado, FAAP, Maria Aparecida Rhein Schirato.

É claro que essa motivação está relacionada à maneira como cada um viveu até aqui e por isso há pessoas mais motivadas e outras menos, mas a boa notícia é que um percentual da motivação é manejável, questão de escolha. “Tem a ver com um profundo compromisso em realizar seu sonho, seja no nível pessoal ou profissional”, diz Ana Lúcia Matos de Santa Isabel, consultora do Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual, Insadi.

Antonio Carlos Teixeira, autor de “Como Criar Felicidade” (Editora Saraiva, 197 págs.), dá algumas dicas sobre como estimular a motivação: “Quando sentir que estiver estagnado, desmotivado, pegue uma folha de papel e divida uma tabela em três colunas. Na primeira coluna, faça uma espécie de brainstorm e enumere o que o está desanimando, como um problema no trabalho ou a falta de dinheiro. Na segunda coluna, tente apontar as causas disso e, por fim, na terceira coluna, proponha soluções. É como se você tivesse quebrado o problema em pedacinhos. Fica mais fácil de visualizar e, a partir disso, tomar as atitudes necessárias para resolver o problema”, diz.

Relação transparente

Você precisa dos seus pares para ter o melhor resultado. Comece hoje a plantar semente dos relacionamentos bons e duradouros.

Relacionamento e transparência andam juntos nas empresas. Se a primeira for eficaz, o segundo flui com facilidade. Isso porque, na base do relacionamento, está a transmissão clara de valores, idéias, convicções, dúvidas e tudo o mais que povoa a cabeça das pessoas, tanto no ambiente pessoal quanto no corporativo.

“Ser transparente é fundamental”, diz Toni Sando, diretor-superintendente do São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB), entidade que fomenta o turismo em São Paulo. “As pessoas têm que saber qual a missão da empresa, por que elas estão lá, o que devem fazer e como devem fazer”, completa.

Sando tem um jeito simples de garantir o bom relacionamento com fornecedores e parceiros: no verso de seu cartão de visitas está escrito, de forma breve, a missão da entidade. “A qualquer coisa que esteja fora desta missão, eu consigo dizer não com facilidade”, garante.

COMO SE TORNAR MAIS EFICIENTE E MAIS EFICAZO Diretor de Recursos Humanos da RCS Auditoria e Consultoria, Nelson Moschetti, não tem a fórmula secreta para tornar uma pessoa mais eficiente. Mas as dicas que ele dá apontam o caminho certo rumo ao duplo aperfeiçoamento: bons procedimentos e bons resultados.

Para todas as pessoas…
• Planeje “como” executar as ações.
• Mantenha o foco no objetivo estabelecido.
• Tenha visão de custos e de processos.
• Mantenha-se alinhado às metas do planejamento estratégico da companhia.
• Esteja a par de todas as etapas do projeto/plano.
• Não perca tempo com questões periféricas. Vá ao fundamental.
• Fique atento às ações do passado para não cometer os mesmos erros nem ter que “reinventar a roda” todos os dias para encontrar soluções.
• Esteja aberto às outras pessoas.

Se você for funcionário…
• Descubra quais são os valores apreciados pela empresa e como atingi-los.
• Saiba quais são as expectativas dos donos da empresa.
• Estabeleça um contrato de objetivos, comprometendo-se a trabalhar para alcançá-los.

Outros expedientes usados para criar uma integridade entre a entidade e as empresas que a cercam são um site informativo, um boletim para associados e a divulgação periódica de dados sobre iniciativas do SPCVB. Relacionamentos transparentes são mais sólidos. Clientes, fornecedores, parceiros e colaboradores sempre sabem o que esperar de seus interlocutores. Não há sustos nem falsas expectativas.

“Uma das coisas que comprometem a eficácia é ter uma ‘agenda oculta’, ou seja, dizer que vai fazer uma coisa e fazer outra ou, de fato, fazer o que prometeu, mas fazer também algo que não havia dito”, alerta Ana Cristina Limongi, da FEA-USP. Para salvaguardar o relacionamento corporativo, Sando cobra a transparência de seus colaboradores em pontos concretos. “Cada um dos quatro departamentos que temos na SCVB possui cinco ou seis índices de desempenho que monitoro para ver se estamos crescendo ou não”, relata. Isso ajuda a manter a equipe coesa e em sintonia com a missão e os objetivos da empresa.

A liderança necessária

O profissional que quer atingir sucesso, tem que se preparar para exercer a liderança eficiente.

No contexto corporativo, a presença de um líder é fundamental para alinhar os colaboradores às metas da companhia. Isso já é comum na maioria das empresas. O que por vezes não se compreende é o que um líder faz exatamente. Chefes de setor, diretores, gerentes, supervisores ou pessoas que dão ordens não são, necessariamente, líderes.

A virtude da liderança não advém do cargo, mas dos valores e habilidades profissionais demonstrados pelas pessoas. Alguém que pauta sua conduta na excelência profissional e em valores como honestidade, sinceridade e altruísmo, por exemplo, é um forte “candidato” a ganhar a adesão e o comprometimento voluntário dos que o cercam.

“Esse comprometimento só é possível quando o vínculo da relação entre as partes não se baseia apenas em benefícios econômicos ou no próprio crescimento pessoal”, afirma o professor de comportamento humano nas organizações do Instituto Superior da Empresa, ISE, Cesar Furtado de Carvalho Bullara.

OS SABOTADORES DA EFICIÊNCIAProfessores, empresários e especialistas em comportamento humano têm opiniões comuns quando se trata de definir os “sabotadores” da eficiência. Eles podem ser divididos entre técnicos e humanos. Confira:

TÉCNICOS
• Falta de qualificação profissional.
• Desempenhar mais atividades do que o tempo permite.
• Falta de organização.
• Perder tempo com questões periféricas.
• Não estabelecer prioridades.
• Falta de clareza na comunicação.
• Não delegar tarefas.
• Uma organização que não ofereça ferramentas necessárias para o trabalho.

HUMANOS
• Impaciência.
• Não ouvir os demais.
• Não reconhecer os próprios erros.
• Preocupar-se demais – por vaidade – com o que os outros pensam de você.
• Não respeitar as particularidades dos outros.
• Não reservar tempo para família, amigos e lazer.
• Aferrar-se a idéias e projetos circunstanciais, e não essenciais.
• Ausência de valores fundamentais, como honestidade, sinceridade e lealdade.
• Falta de coerência entre discurso e prática.

Sendo assim, não é demais afirmar que o verdadeiro líder, ainda que não o perceba, impele a todos a uma melhora contínua e à busca de um mesmo objetivo com seu exemplo.

Uma liderança que fica na retaguarda, segurando as pontas nos bastidores, como se costuma dizer, é mesmo uma liderança? Annie Morrisey, vice-presidente de marketing da Atlantica Hotels International, não tem dúvida de que sim, e garante: esse tipo de liderança é bastante eficaz. A Atlantica é a segunda maior administradora de negócios hoteleiros da América Latina, com 54 empreendimentos sendo gerenciados hoje.

Annie, com sua equipe de vendedores, gerentes e diretores, tem que dar conta de tudo com coesão, agilidade e resultado. “É impossível ficar a par de tudo o que está acontecendo no momento. Mas para que as coisas saiam, você precisa conhecer muito bem o colaborador e confiar nele. Depois, é preciso ficar na retaguarda, fazendo perguntas, relembrando conceitos, cobrando resultados que as pessoas muitas vezes esquecem no dia-a-dia”, explica Annie.

Ela garante que, como líder, consegue transmitir confiança às pessoas que a cercam. “Eu dou as diretrizes, digo aonde podem ir, o que é bom evitar e depois os deixo agir. Com isso, eles se sentem seguros para tomar as iniciativas”, diz.

Para manter este alinhamento sempre em dia, Annie recomenda avaliações periódicas e individuais dos colaboradores para dizer onde e por que estão indo bem ou mal. Celebrar o sucesso é algo importante no escopo de ações de um líder, e a vice-presidente de marketing da Atlantica sente que precisa melhorar neste aspecto. “A gente se esquece de dedicar tempo para celebrar o sucesso e acaba só falando das coisas ruins e cobrando resultados.

Na área de vendas, principalmente, os colaboradores são pessoas que precisam de motivação, de espaço para falar, para tirar dúvidas. Empresas em expansão costumam negligenciar isso”, alerta. Ao definir a premissa mais importante de sua liderança, Annie Morrisey é suscinta: “quero ver as pessoas crescerem, porque assim elas se engajam”.

Negociação

Hoje, desenvolver essa habilidade é essencial para quem quer chegar ao topo.

Praticamente, não há profissional que, hoje em dia, não tenha que aplicar negociação no dia-a-dia do trabalho. Negocia com o comprador, com o cliente, com os funcionários, com o chefe, enfim. Portanto, cada vez mais, a especialização dessa habilidade é fundamental, principalmente para quem quer cumprir seus objetivos com eficiência. “Quem quer se desenvolver em negociação, precisa saber que não basta ler sobre o assunto, mas também participar de workshops, nos quais possa fazer simulações”, indica Luiz Felipe Cortoni, professor de negociação e comunicação e administração de recursos humanos da Fundação Vanzolini, da Universidade de São Paulo.

A seguir, o professor indica os cinco erros mais comuns que costumam emperrar os processos de negociação e dá algumas dicas sobre como aprimorar essa habilidade:

1. Acreditar na argumentação pura e simplesmente: É normal considerar, durante um processo de negociação, que nossos argumentos são poderosos e imbatíveis. No entanto, não é a nós mesmo que nossos argumentos devem convencer, e sim ao nosso interlocutor. Mais ainda, para cada argumento apresentado, nosso interlocutor tem pelo menos dois para rebatê-lo, que ele também acredita serem imbatíveis.

2. Pressionar o interlocutor ou subestimá-lo: Neste caso, a questão é muito simples, pois se imagina que pressionando o interlocutor ele cederá, quando o efeito é exatamente o contrário: quanto mais pressionado, maior sua defesa, e, portanto, maior a dificuldade de se chegar a um acordo. Da mesma maneira, acredita-se que o interlocutor não tenha argumentos, resistência nem armas para nos pressionar.

3. Não estar disposto a ceder, não formar o ”nós”: Pode-se comentar este erro por meio da própria definição de negociação: processo pelo qual as partes se deslocam de suas posições inicialmente divergentes a um ponto no qual possam alcançar um acordo. Se nós vamos ou queremos negociar, precisamos abrir mão de nossas posições para formar uma terceira, que não é a nossa nem a do nosso interlocutor, mas uma posição onde o acordo é confortável para os dois. Se não temos esta atitude, estamos fazendo tudo, menos negociando.

4. Demonstrar triunfo ao final: Este parece um erro básico e infantil, no entanto ainda muito freqüente. Óbvio, ninguém gosta de saber que foi vencido ou que poderia ter saído do processo com mais algumas vantagens que não conseguiu. A reação do interlocutor a este comportamento pode ser a retomada do processo e, o que era para ser final, se transforma em um novo começo de discussão.

5. Participar sozinho de negociações complexas: Mais pessoas ajudam no momento das negociações complexas; sempre nos sentimos mais fortes e apoiados na presença de outros. Isto algumas vezes também faz com que nosso interlocutor nos veja de outra maneira. No entanto, a fase de preparação e de acertos entre os parceiros é fundamental. Cada um deve saber o que fazer, como e quando fazer. Parceiros mal acertados podem significar fracassos na negociação.

A EMPRESA EFICAZA máxima eficiência não depende somente das pessoas que trabalham na empresa. É claro que as pessoas são o recurso principal quando se fala nesse assunto, mas se a organização não cumprir o seu papel no processo, torna-se
um entrave.

“O ambiente interfere na medida em que a própria organização tem objetivos. Esses objetivos têm que estar claros para as pessoas que trabalham na companhia e os objetivos de cada funcionário têm que estar alinhados aos da empresa”, diz a diretora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, da Universidade de São Paulo (USP), Maria Tereza Leme Fleury.

O primeiro passo, portanto, para tornar a empresa eficaz é implementar uma comunicação clara, objetiva, sem tropeços. Mural de informações, e-mail, jornal interno e intranet são algumas ferramentas capazes de permitir o fluxo de informações nas organizações, mas, para funcionar, a transparência tem que ser um valor dentro da empresa.

Além desse aspecto, as empresas mais eficientes, em geral, são:
• Menos burocráticas;
• Praticam a liderança colaborativa;
• Investem nos colaboradores;
• Oferecem suporte do tamanho do desafio que cobram das equipes.

Luciane Crippa e Sabrina Duran
Revista SeuSucesso Nº 36
Site: http://www.europanet.com.br

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