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por Ana Vecchi – 

Franquias do segmento de alimentação são uma das que mais têm chamado a atenção de investidores e do mercado em geral.

Franquias de fast food são excelentes negócios desde que o franqueador domine totalmente a operação do negócio, dedique-se a formatar o sistema de forma completa e saiba como treinar seus franqueados acompanhando-os com uma equipe adequada. Deve ainda analisar constantemente o mercado, adotar atitudes de marketing direcionadas ao público-alvo e acima de tudo estar atento às alterações estratégicas que cada vez mais rapidamente são necessárias adotar para acompanhar a velocidade das mudanças.

Outro aspecto é aquele que diz respeito ao conhecimento que o empreendedor tem de gestão de negócios. Caso sua experiência seja basicamente comercial, não é nenhuma vergonha se cercar de consultores que possam apoiá-lo a desenvolver suas competências gerenciais, dentro dos modernos conceitos de gestão.

Como procedimento inicial necessário o ideal é que o futuro franqueador se submeta a um estudo que analise e avalie o negócio por completo, em aspectos como:

• Auto análise de quanto conhece e domina sobre o conceito de negócio, o mix de produtos, o mercado, concorrência e público-alvo;

• Problemas comuns a esse mercado e aspectos críticos do negócio, como forma de atuar em marketing e promoções;

• A estrutura administrativa e organizacional para administrar as unidades e principais conceitos de gestão que serão adotados, definido assim a cultura da futura rede;

• Análise e identificação dos pontos críticos do processo de implantação da operação de franchising;

• Qual unidade servirá para a adequação e implantação de uma unidade piloto, que servirá de base para testes de novos produtos, serviços e treinamento para franqueados;

• Definições sobre a empresa a ser criada e que ficará encarregada da concessão, implantação, coordenação e supervisão das franquias, inclusive quanto ao quadro de funcionários e atribuições de cada um;

• Quantas unidades o proprietário tem em operação e qual o retorno que oferecem em que condições;

• Estudos e simulações financeiras para definições das taxas de franquia, royalties e fundo de propaganda e sua viabilidade tanto para a empresa franqueadora quanto para os franqueados;

• Definição do perfil de franqueado ideal, de maneira objetiva, bem como adoção de políticas de recrutamento e seleção de franqueados; e

• Definição de critérios de expansão da rede a nível nacional e plano de concessão de franquias.

A partir da análise desses aspectos e a confirmação de que esse negócio, enquanto rede, pode se transformar em um caso de sucesso o empreendedor deve estar consciente de que passará a contar com um novo negócio, além de seus pontos de venda atuais, ou seja, um negócio que irá tratar da concessão e gerenciamento de franquias.

Estruturação da Empresa Franqueadora e Formatação do Sistema de Franchising

A Estruturação da Empresa Franqueadora deve ser feita de forma extremamente profissional pois esta será a responsável pela concessão, supervisão e gestão da rede, o que equivale a dizer resultados.

Esta será uma empresa nova cujos clientes não serão os consumidores/clientes da unidade que comercializa comida. Os clientes da Empresa Franqueadora são os franqueados e o produto dela são as franquias. Os serviços prestados são todos relacionados ao repasse de know how da operação, indicação e aprovação de pontos comerciais adequados à implantação de uma franquia, reciclagens, orientações, solucionar dúvidas, ou seja, tudo que a rede precisar para aperfeiçoar a cada dia sua forma de atuação, preservação da marca e padronização.

Portanto, este futuro franqueador não pode esquecer que esta empresa deve contar com pessoas que conheçam modernos conceitos de gestão, conceitos de franchising, e dominem o conceito de negócio das unidades que serão implantadas, pois serão os responsáveis pelos treinamentos aos franqueados e supervisão da rede com o objetivo de proporcionar melhorias constantes.

Nos dias de hoje uma rede competitiva deve nascer sob a ótica da informação e do gerenciamento de dados que, interligados em sistemas compartilhados, devem ser motivo de decisões rápidas, participação de todos os envolvidos, troca de experiências, estatísticas para a constante adoção de medidas corretivas que a levem à Qualidade, enquanto conceito de gestão.

Principalmente em se tratando de uma rede de alimentação, é fundamental a implantação de uma cultura voltada à melhoria contínua, seja pelo produto comercializado, seja pela crescente concorrência e aperfeiçoamento de conceitos, muito rápido nesse setor.

Uma empresa franqueadora deve nascer a partir dos processos envolvidos , os quais merecem ser estudados por profissionais competentes e de visão atual e moderna, de forma que a rede seja formatada, mas mantenha a franqueadora arejada, flexível, ágil, enxuta e pronta para implantar novos formatos sempre que o mercado sinalizar como necessário. Melhor ainda se a franqueadora tiver a condição de ser uma rompedora de paradigmas e criadora de novos conceitos.

A estrutura básica da nova franqueadora deve estar baseada nos seguintes principais sub sistemas:

• Marketing: Vendas de franquias e Marketing da rede;

• Operações: Treinamento de novos franqueados, atualização dos manuais e coordenação da supervisão da rede;

• Administrativo/Financeiro: administração das taxas, dos contratos de franquia, controles, informática;

• Produtos: Desenvolvimento de novos produtos e fornecedores, valendo a pena criar uma rede de abastecimento que funcione de forma muito parceira e promova ecoomia para todas as unidades.

Cabe ainda aos empreendedores, pessoalmente ou através de terceiros, gerenciar todas atitudes voltadas à estratégia e Qualidade da rede, definindo atitudes sistêmicas que garantam competitividade. Ressaltamos esse fato, uma vez que é um erro bastante comum a participação dos empreendedores nos aspectos operacionais, que normalmente é aquele que eles mais conhecem , em detrimento da estratégia e da visão de futuro.

Da mesma forma se recomenda que os franqueadores participem da escolha de seus parceiros franqueados, mesmo que com auxílio externo, mas não repassem a responsabilidade da escolha a corretores de franquias.

Definida a Estruturação da Franqueadora, o passo seguinte é formatar a franquia, sendo o aspecto principal a manualização dos procedimentos, já definidos de acordo com o estudo de processos e dentro dos conceitos de qualidade.

Em geral recomendam-se os seguintes manuais:

• Pré-inauguração: abordando os procedimentos e cronograma de ações da assinatura do contrato de franquia ao dia de inauguração da mesma (marketing de inauguração, dimensionamento de equipe, contratação de pessoal, abertura de firma, contador, compra de equipamentos e insumos, treinamento, etc.);

• Operações: aspectos de gestão do negócio no seu dia-a-dia, da abertura ao fechamento da unidade;

• Marketing: com técnicas de como conquistar e fidelizar clientes, marketing de relacionamento, aplicação e uso da marca, padrão de atendimento, mercado de atuação, etc;

• Administrativo-Financeiro: gestão administrativa inerentes ao negócio, fluxo de caixa, controles e aspectos de RH; e

• Produtos: mix de produtos, características, receitas, manipulação, higiene, armazenagem/estocagem, validades, etc.

Com todo este material desenvolvido, a empresa franqueadora terá condições de capacitar seus franqueados, mesmo quando forem pessoas sem intimidade com a operação de um negócio como o que estará sendo franqueado. Para tanto, toda a equipe da franqueadora deverá ser treinada de tal forma que a empresa tenha condição de transmitir seu conhecimento de maneira uniforme e eficaz.

Importante ainda salientar que os manuais são as apostilas do Programa de Treinamento dos franqueados, e devem conter informações atualizadas para que o treinamento seja adequado e reproduza a realidade e a forma de atuação correta de todas as franquias.

Concluindo a formatação, a empresa franqueadora deve ter os documentos jurídicos que retratem perfeitamente o negócio e a operação da rede:
Pré- Contrato, Contrato de Franquia e Contratos com os Fornecedores.

A estruturação e formatação de um sistema de franchising deve ser visto, portanto, como algo totalmente integrado e não atitudes isoladas. Não se deve esquecer que uma franqueadora é uma empresa acima de tudo e portanto sujeita a todas as necessidades administrativas, estratégicas, organizacionais e culturais de qualquer empresa chamada convencional.

Ana Vecchi
Diretora da Vecchi & Ancona Consulting, empresa especializada em redes de negócios, estratégias e geração de competências

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