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por Naísa Modesto – 

Se você ainda acredita que regras de etiqueta são aqueles cuidados que você dever ter à mesa, é hora de mudar seu ponto de vista.

As noções de etiqueta ultrapassaram a fronteira dos restaurantes e jantares e se aplicam em muitos setores da sua vida, mesmo que você ainda não tenha percebido.

Beber além da conta, vibrar com o toque do seu time de coração no celular, usar uma roupa exagerada em plena segunda-feira às 15h. Tudo isso pode comprometer sua imagem no ambiente de trabalho, se você não estiver atento. Mesmo assim, mantenha a calma. Algumas situações a que somos expostos todos os dias podem parecer traiçoeiras, mas a mais fiel aliada da etiqueta corporativa ainda é o bom senso.

ETIQUETA CORPORATIVA, QUE BICHO É ESSE?

Assim como outras regras de etiqueta, no ambiente corporativo essas normas têm o objetivo de formar e/ou capacitar um funcionário para atender clientes, principalmente, da melhor forma possível. É o que conta a consultora em etiqueta e assessora de noivas, Gianine Luiza. Essas regras ainda incluem a apresentação física, contato com colegas e chefes, contatos ao telefone – sempre com base nas regras da boa educação e da melhor convivência.

Além disso, o marketing pessoal pode ser importante para sua carreira. “É a melhor forma que temos para conseguir aquilo que queremos profissionalmente, usando nossa apresentação, nossa forma de comunicação, nossas atitudes, a forma como falamos e tratamos as pessoas, nosso poder de persuasão, etc.”, conta Gianine.

Lígia Marques, consultora em etiqueta e marketing pessoal, ressalta que o conhecimento das regras de etiqueta fazem com que o ambiente de trabalho se torne mais leve e produtivo. Ela afirma que “são instruções bastante simples, mas que as pessoas precisam ter ouvido de alguém para ter certeza e se sentirem seguras em suas atitudes futuras.”

ETIQUETA COM ESPAÇO GARANTIDO

Longe da teoria, a aplicação não parece ser muito respeitada. “As pessoas não ligam para regras de etiqueta e ainda as consideram uma grande frescura!”, resume Gianine.

Mesmo assim, a sociedade dá sinais de mudança – para melhor. “Hoje estamos num processo de franca valorização deste tipo de conhecimento, embora tenha havido um grande hiato depois dos anos 60 até recentemente”, pondera Ligia.

O trabalho também consiste em mostrar às pessoas que etiqueta e educação não são sinônimos de frescura ou de ser esnobe. Até mesmo questões de cidadania são incluídas nesse universo hoje em dia.

“Podemos dizer que a etiqueta nos torna mais amigos, simpáticos, sinceros, próximos e prontos para encarar situações de maneira fácil e descomplicada, pois ela existe para auxiliar no dia-a-dia”, explica Gianine.

Ligia completa: “Coloco etiqueta como a melhor forma de uma pessoa se relacionar com as outras. A palavra relacionamento é fundamental. Uma pessoa bem educada vai se relacionar melhor com as outras do que quem não tem a mesma educação.”.

Lícia Egger-Moellwald, articulista do Portal IG com a coluna “Comporte-se” e professora de Pós-Graduação da Universidade Anhembi Morumbi, observa a diferença entre o comportamento das pessoas e o tipo de conduta que as empresas propõem. “As pessoas têm de ser educadas, gentis, ter bom relacionamento, interagir, mas o que acontece não é isso. Os profissionais têm dificuldades de relacionamento, temem ser mal interpretadas e sofrem com toda a sorte de ruídos na comunicação”. Ela ainda diz que, ao colocar as regras em prática, as pessoas percebem rapidamente o benefício dessa ação.

ERROS MAIS COMUNS

Em virtude da variedade de assuntos tratados em cursos de etiqueta, fica difícil saber quais são os mais comuns, mas as dúvidas à mesa são muito freqüentes. “Os talheres são sempre um grande problema – onde colocá-los, como manuseá-los, quando usá-los”, conta Gianine.

No ambiente profissional, as gafes podem se apresentar no uso inadequado de um cartão de visita, não saber como fazer uma apresentação corretamente e não construir sua “marca” corretamente.

Isso é só o começo. Ainda é preciso ter cuidado com roupas muito decotadas ou muito curtas para as mulheres, fazer fofocas dos colegas; usar expressões íntimas ao falar com clientes – “querida”, “meu anjo”, “amigo”,”meu bem” – e ter intimidade com o chefe para obter benefícios futuros.

Os deslizes também passam pelos trajes. De forma sutil, a roupa que você usa pode denunciar seu comportamento ou passar uma imagem que não se encaixa no âmbito profissional. Por isso, é aconselhado fugir de transparências, roupas justas e estilos duvidosos.

FUJA DAS GAFES!

Agir com discernimento ainda é a melhor saída para evitar erros e fugir de situações embaraçosas. Em um cenário desfavorável, o mais indicado é manter a calma, usar o bom senso e agir da maneira que julga correta. Assim que possível, procure informar-se com alguém que conheça o assunto ou as regras de etiqueta.

Ligia afirma que a honestidade é um fator importante nos nossos relacionamentos. “Quando a pessoa desconhecer certo costume ou regra, é melhor que pergunte, mostrando transparência e honestidade do que fingir que sabe e ainda correr o risco de se dar mal.”

Lícia aconselha: “Quando acontecer alguma coisa que não estava prevista, o máximo que você pode fazer é pedir desculpas com sinceridade – uma vez só”. Ser sincero e fazer o possível para remediar o erro é a atitude mais correta. Caso tenha derramado um copo de vinho durante um almoço, por exemplo, pergunte se a pessoa se molhou e peça ao garçom que recolha o copo. Caso o dano seja maior, como derrubar um notebook de um colega, garanta o ressarcimento do aparelho e pronto.”Têm situações na vida nas quais você não tem o que fazer”, afirma. Por isso é preciso pedir desculpas e fazer o que é possível para minimizar o deslize.

O ideal é que os profissionais procurem se aperfeiçoar nessa área, pois cada vez mais as chances de conseguir um bom emprego e desenvolver-se profissionalmente passam pelas atitudes pessoais. “Longe de etiqueta ser algo supérfluo. As grandes empresas já perceberam que faz o diferencial”, completa.

Acompanhe a seguir um guia com os conselhos das especialistas Gianine Luiza, Lícia Egger-Moellwald e Lígia Marques para saber como lidar com algumas situações rotineiras:

Naísa Modesto
E-mail: n.modesto@catho.com.br

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