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Rogério ViannaEconomista, Instrutor e Consultor do SEBRAE/RJ. Reprodução de entrevista concedida ao site do Sebrae/RJ – Fala sobre os problemas financeiros enfrentados por micros e pequenos empresários.

 

Sebrae/RJ – Qual é o principal problema enfrentado pelas micro e pequenas empresas na área de finanças?
Rogério Vianna – Geralmente são problemas relacionados ao controle financeiro. Normalmente estas empresas são conduzidas por pessoas que se perdem nos números, não têm planejamento, não dominam a formação de preços e não têm intimidade com a contabilidade. Em suma, não têm uma percepção clara do seu negócio, e não conseguem tirar proveito dos dados que estão à sua disposição. Vão tocando o negócio como dá. É como se fosse um barco sem leme, que vai sendo levado pelo vento. Muitos sabem que falta dinheiro, por exemplo, mas não sabem porque chegou a esta situação e o que fazer para evitar que se repita.


Sebrae/RJ  Esta falta de organização e conhecimento da área financeira pode levar à falência do negócio?
Rogério Vianna – As empresas podem falir não somente por este motivo, mas este é também um fator que pode contribuir para a falência do projeto, porque o empresário não sabe interpretar o resultado financeiro da empresa. Está míope. Sabe que está sem caixa, mas não sabe o que o levou a esta situação, ou seja, não tem uma visão clara do seu negócio. De um modo geral, se contratam funcionários sem saber quanto a admissão vai custar na realidade, porque não é só o salário que terá que ser levado em conta. É preciso avaliar alguns outros dados. Por exemplo: a contratação vai aumentar o faturamento? Quanto o funcionário vai custar realmente, acrescentando encargos e benefícios? Qual o custo da contratação e treinamento? O empresário da micro e pequena empresa muitas vezes não sabe responder a estas questões.


Sebrae/RJ  Como controlar e analisar financeiramente a empresa? Quais são os instrumentos?
Rogério Vianna – O dono do negócio tem que ter uma planilha de controle, que pode ser feita no Excel, para quem tem computador, ou mesmo manual, se não tiver o equipamento. Ele tem que controlar toda a movimentação do seu negócio: quanto investe em estoque, quanto vende, quanto fatura, quanto custa cada mercadoria, os outros custos que tem para manter o negócio: funcionários, impostos, luz, telefone etc. Tem que ter controle das suas receitas e despesas.


Sebrae/RJ  Como formar preços?
Rogério Vianna – Primeiro, é preciso ver em que segmento o empresário atua: indústria, comércio ou serviço? Os itens que formam o preço são matéria-prima, mão-de-obra e gastos gerais (custos fixos: aluguel, contador, luz, IPTU), que vão existir independentemente do tipo de negócio. Com estas considerações, você tem o custo da mercadoria. Depois, tem que acrescentar os impostos e tudo o que incide sobre a venda (comissões, margem de lucro) e saber por quanto o concorrente oferece a mesma mercadoria. Se for um preço menor do que o que ele pratica, tem que mexer nos seus custos ou na sua margem de lucro, verificar outros fornecedores, analisar os gastos com salários etc. Se o concorrente reduzir ainda mais o seu preço de venda, o empresário só saberá o que fazer se souber como foi formado o preço da sua mercadoria. Aí ele poderá decidir se irá ou não acompanhar o concorrente (caso tenha capital de giro suficiente para suportar esta empreitada) ou deixar que o concorrente pratique seu preço suicida sozinho, porque sabe que ele não agüentará muito tempo. São estratégias, são decisões tomadas com embasamento. Mas para isto, tem que se ter conhecimento do seu preço de venda e do mercado.


Sebrae/RJ  Como definir a margem de lucro de um negócio?
Rogério Vianna – Está é uma área que varia muito. Os artigos de luxo têm margem maior porque são vendidos em quantidades menores, enquanto os artigos populares têm uma margem menor, que é compensada pelo volume maior de vendas. O lucro depende de fatores como quantidade, qualidade e público. Uma camiseta de grife, por exemplo, custa caro porque além do custo do fornecedor ser alto (melhor qualidade do produto) a loja vende poucas unidades por dia. E uma camiseta básica de malha custa barato e por isso consegue atingir um público maior, ou seja, vendem-se muitas num mesmo dia. O setor de serviço normalmente é o que tem a maior margem de lucro, mais que a indústria e o comércio, porque trabalha com o conhecimento, que é um item de custo que permite uma margem diferenciada.


Rogério Vianna – A maioria inicia um negócio sem saber sequer da existência de linhas de créditos específicas para pequenos empreendedores. Não sabem também que o Sebrae pode orientar, indicar onde obter recursos, informar sobre o que precisa para que o cadastro seja aprovado, ajudar a definir o valor necessário para investimento no negócio, apontar as entidades que trabalham com linhas especiais de crédito e ajudar a elaborar estudos. O Sebrae tem consultores para todas as áreas, que podem analisar e indicar soluções para os problemas, treinar funcionários etc. O empresário da micro e pequena empresa muitas vezes não se acha capacitado para absorver e colocar em prática estes conhecimentos. Mas ele é capaz sim. E os cursos do Sebrae são formatados para capacitar o empresário a identificar e solucionar os problemas da sua empresa. Não são cursos de formação (como faculdades), são cursos de informação, práticos, objetivos, fruto de anos de experiência.

Rogério Vianna Economista, Instrutor e Consultor do SEBRAE/RJ. Reprodução de entrevista concedida ao site do Sebrae/RJ.
Site: http://www.sebraerj.com.br

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