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MÁGICA PARA ESPANTAR CLIENTES

MÁGICA PARA ESPANTAR CLIENTES
por Fernanda Nogueira Pena

Lá fui eu de novo colocar a travessinha de barro com arranjo de frutas e aquele paninho da vovó no fogão, e rua, que domingo é dia de almoçar em qualquer lugar menos em casa!

Desta vez resolvemos ir mais longe, lá para os lados da praia, afinal o dia estava lindo, de muito sol, depois de um longo tempo elocubrando maneiras de preencher domingos com chuva.
Fomos no olhômetro, aquela técnica do olhou, gostou, parou, ficou. Depois de rodar muito, olhos de um no lado esquerdo da estrada e olhos do outro no lado direito, concluímos que o lugar escolhido seria mesmo aquele que já conhecíamos, porque não havia nada mais atraente no pedaço.

No primeiro retorno, voltamos nós na direção da melhor promessa de uma boa comida, com direito a pastelzinho de camarão feito na hora e tudo mais.

Como sempre tinha sido, a primeira rodada foi no clima do pastel, que chegou em cinco minutos.

Tudo perfeito.

Papo vai, papo vem, começamos a correr os olhos pelo ambiente, lotado, cada pedido era atendido no tempo certo, a comida chegou gostosinha como sempre, a bebida mergulhada em gelo, nada a reclamar.

Surgiu, então, a idéia de apurar a atenção e transformar o passeio em um novo case de atendimento, mas nada acontecia de diferente, para melhor ou para pior, com exceção dos clientes que não paravam de chegar.

Parecia que, em algum lugar lá no fundo do salão, todos estavam sendo abduzidos – era impossível aquele lugar comportar tanta gente que entrava e não saía – seria ele tão grande assim?

Nunca tínhamos reparado nisso…

Enfim, chegávamos ao final do almoço e nada havia a fazer além de pedirmos a conta – assim o fizemos.

Ela chegou no tempo certo, sem um único minuto além do que se espera que chegue e sem um único centavo fora do lugar.

Pior, tinha duas balinhas junto.

Nós nos remexemos nas cadeiras e peguei na alça da minha bolsa, pronta para levantar, quando… Ra-rá! Nunca, nunca, na sua vida, você pense que tudo está perdido até ouvir o apito final, porque jogos viram em segundos, e foi justamente isso que aconteceu!

Vendo que já estávamos saindo, o comandante da turma do atendimento surgiu na nossa frente, em pessoa, trazendo consigo uma ajudante para tirar os pratos e trocar a toalha de papel, preparando a mesa para a próxima família.

Em fração de segundos (eu já estava em posição de “estou levantando, mas ainda não saí daqui!”), vimos os pratos serem recolhidos – os nossos e os da comida que havia sobrado – e serem colocados em uma bandeja única, no mais puro estilo “pirâmide”.

Foi assim: embaixo de tudo ficou a pedra da picanha. Sobre a pedra da picanha, a bandeja da polentinha frita que ainda continha algumas tirinhas rejeitadas. Sobre a bandeja com as polentinhas fritas, foi colocada a travessa da farofa restante, que, devidamente pressionada pelo que foi colocado em cima, serviu de base perfeita para apoiar a bandeja do arroz de brócolis!

Uma escultura!

Era uma verdadeira es-cul-tu-ra aquela que estava diante de nossos olhos e estômagos, que (foi impossível controlar) passaram por um rápido momento de contorção, diante daquela “coisa” aerodinâmica que montaram bem diante dos nossos narizes e que foi embora levada pelas mãos da ajudante artesã…

Vocês pensam que esta foi a única vitória que tivemos? Então prestem bastante atenção no que vem agora e que valeu a saída de domingo.

À nossa frente restou o comandante do atendimento. Ele, com movimentos tão rápidos que tivemos de acompanhar em dupla para depois rejuntar as partes e conseguir ter o todo, foi enroscando a toalha de papel das pontas para o meio enquanto suas mãos (tivemos a impressão que ele só tinha duas) espanavam para o centro da toalha as tampinhas das garrafas, os saquinhos vazios de açúcar, os restinhos de comida que sempre ficam pela mesa e viraram na toalha o cinzeiro entupido de cinzas e pontas de cigarros, fechando tudo de uma manobra só, com uma mão, enquanto a outra já esticava uma nova toalha de papel sobre a [ainda] nossa mesa!

Não me perguntem se apenas duas mãos conseguem fazer tanto estrago em um tempo só, mas as duas, que estavam diante de nós, fizeram! Estragaram tudo!

A picanha, o arroz de brócolis, a farofinha de banana, as polentinhas e a simpatia da recepção que, ao nosso lado, distribuía beijos em algumas famílias recém chegadas, tudo foi para o espaço com aquela mágica que transformou nossa toalha em lixinho, diante do nosso nariz, exatamente quando a nossa digestão começava!

Será que vamos conseguir vencer a quebra do encantamento conquistado e voltar lá algum dia para comer alguma coisa sem nos lembrarmos mais daquela trouxa amarfanhada cheia de lixos e restos?

Aqui estamos nós de frente para mais um caso real, que mostra como assustar, de verdade, um cliente de anos e anos que, de repente, não sabe se conseguirá superar a decepção que o atingiu no último elo do ciclo de atendimento, incrível, depois da conta paga, quando tudo parecia estar perfeito como sempre tinha estado antes.

Será que eles pensam que tudo terminou nas balinhas da conta?

Fernanda Nogueira Pena
Consultora. Administradora com especialização em Marketing. Desenvolvedora de Conteúdo para web. Diretora-Executiva da empresa Nogueira Fernandes Consultores.
E-mail: fernanda.pena@terra.com.br
Site: www.nogueirafernandes.com.br

 

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