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Aquela mulher loira, com maquiagem perfeita, não muito exagerada, mas maquiada o suficiente para chamar a atenção de todos que por ela passavam no shopping center, tinha meia idade e vestia-se de maneira formal e muito elegante, usava saltos altos, mas sem exagero e caminhava como se estivesse desfilando lentamente numa passarela.

Ela parou na vitrine da loja de roupas femininas e olhou por algum tempo o que estava exposto. Voltou um pouco e entrou na loja, cuja a porta ficara para trás, entrou lentamente e olhou para as atendentes, estas sentiram o cheiro da compra que estava por vir, como uma predadora prestes a abater sua presa. Sequer sabiam se a mulher iria comprar alguma coisa, mas os indícios as levaram a pensar que sim. Entreolharam-se para saber de quem era a vez de atender e a Joyce foi agraciada com aquele atendimento. Neste instante como se um botão desligasse o interesse das outras, elas se desligaram da cliente. A Joyce aproximou-se da compradora potencial e disse o tradicional:

– Pois não!

A cliente, mesmo desejando algo que lhe trouxesse felicidade, respondeu automaticamente:

– Só estou olhando!

A Joyce que era uma pessoa pouco paciente, olhou para a mulher e com certo desprezo e despreparo disse à cliente:

– Fique à vontade, se precisar é só chamar!

No íntimo a Joyce já achava que fora um alarme falso e aquela mulher só a faria perder tempo, assim num ato contínuo deu as costas à cliente e passou a mão no celular para olhar a mensagem anunciada pelo WhatsApp. A mulher educadamente continuou seu trabalho de farejar algo que a deixasse feliz. Olhou a primeira arara que tinha os vestidos mais tradicionais de noite, longos, brilhantes em prata, branco ou preto e não ficou satisfeita. Seu cérebro pedia algo mais para o dia a dia, para usar no trabalho sem que fosse o tradicional. Algo clássico mas para o dia a dia. Olhou para o outro lado da loja e avistou umas blusas mais clássicas de gola e manga comprida, mas com uma estampa em tons pastel que passavam uma imagem de moderno clássico, O tecido parecia microfibra, mas ao aproximar-se verificou que havia tecidos em seda naquelas blusas. Ela adorava seda, porque além de finas e leves caiam-lhe muito bem ao seu corpo de balzaquiana, mas completamente em forma graças à malhação e à alimentação balanceada que possuía. Ficou encantada com uma blusa de seda chinesa na cor salmão. Olhou para a Joyce, ela sequer estava prestando atenção na cliente, olhou para as outras três atendentes, duas conversam entre si e a outra estava olhando para o nada. A caixa chamou a Joyce, esta olhou de rabo de olho e continuou a teclar no seu smartphone.

Nisto aparece a Maria uma funcionária do estoque que fora promovida no dia anterior ao cargo de atendente vendedora. Ela olhou para a cliente e viu que a mulher ansiava por ser atendida. Caminhou até àquela mulher e disse:

– Bom dia, hoje o dia está muito quente, não é?

– É verdade, hoje a manhã amanheceu muito quente, aliás desde ontem à noite está quente. Gosto de vir ao shopping porque aqui há ar condicionado, ninguém aguenta o calor que está fazendo a esta hora da manhã.

– Bem senhora meu nome é Maria, o que especificamente a senhora está procurando? E qual seu nome?

– Meu nome é Carmem. Eu estou procurando uma blusa clássica e gostei muito desta em salmão com tecido em seda.

– Posso chamá-la só de Carmem?

– Claro que sim!

– Bem percebo que a senhora tem um excelente gosto, esta blusa em seda chinesa é de muito bom gosto e a deixará mais elegante ainda do que a senhora já é.

– Maria não precisa chamar-me de senhora, chame-me apenas pelo nome.

– Certo! Carmem, você quer experimentar a blusa?

– Creio que sim!

– Por favor acompanhe-me!

Enquanto a Maria dirigia-se ao provador com aquela cliente, as outras atendentes permaneciam do mesmo modo que antes, uma olhando para o nada, outras duas falando da balada de sábado e a Joyce, ah a Joyce, continuava a enviar mensagem pelo celular.

– Carmem, por favor experimente aqui a roupa neste provador, vou buscar uma peça que combina com esta blusa e sei que você vai adorar…

A Maria afastou-se e foi buscar um tailleur para a cliente…

 

Continua…

 

Celso Negrão

Consultor e Educador Corporativo

Espaço Vendas

 

Autor

Celso Negrão
Celso Negrão

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