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Carmem ficou um breve tempo pensativa… Maria, por um momento, pensou que a pergunta poderia finalizar seu trabalho de modo negativo e ficou um pouco ansiosa com a resposta que receberia. Finalmente Carmem respondeu:

– Pode perguntar sim, Maria!

Maria voltou a ficar confiante novamente e perguntou:

– Carmem você está se dando de presente essas compras de hoje?

– Maria como você sabia?

– Na verdade eu não sabia, mas em algum momento na nossa relação interpessoal, eu tive um pressentimento que sua compra era um presente para si mesma.

– Bem Maria, hoje é um dia muito especial para mim, eu fui promovida a Gerente Regional na empresa que eu trabalho, serei a primeira mulher a ocupar este cargo na companhia. Isto me gerou uma felicidade enorme e então eu desejei me dar um presente. Na verdade, eu pensei em algo simples, mas quando olhei aquele tailleur eu não resisti e depois você foi me mostrando outras coisas que tinham tudo a ver com aquela roupa, as combinações, os modelos e eu acabei achando que merecia tudo aquilo. Você foi fantástica Maria!

– Obrigada Carmem, mas este é meu trabalho!

– É Maria este é o seu trabalho, mas quando eu entrei achei que tinha entrando na loja errada, que eu me frustraria e não conseguiria comprar o que desejava. Foi quando você apareceu e fez toda a diferença, seu jeito cordial, disse seu nome, perguntou o meu, trouxe-me outras roupas e acessórios sem que eu lhe pedisse nada, somente para me mostrar como seria as combinações possíveis daquela roupa. São poucas atendentes que fazem isto, aliás lá haviam diversas atendentes e nenhuma se interessou em atender-me, mas você não e, além disso, superou minhas expectativas, inclusive me deu um presente…

Enquanto a cliente falava a gerente a observa e ouvia seus elogios à Maria. Ela já observava a Maria há algum tempo. Maria foi uma surpresa desde o primeiro dia, pois ela já possuía alguma experiência como vendedora, mas aceitou trabalhar no estoque, pois precisava pagar a faculdade e as despesas do dia a dia, o dinheiro a ajudaria, mas logo ela passou a atender, voluntariamente, quando alguma cliente mais exigente era largada por outra atendente, Maria assumia o papel e vendia, mesmo não recebendo as devidas comissões, pois era estoquista. Os elogios eram merecidos pois ela praticava os comportamentos desejados pela empresa.

Raramente cometia um erro e sempre se interessava mais pelo cliente do que pelo celular ou pelo bate papo entre as atendentes. Maria sempre contribuía com ideias de promoções, procurava sempre deixar a loja organizada, sugeria o que fazer na vitrine, tinha muito entusiasmo pelo trabalho. Era uma funcionária de muito futuro na rede de lojas. A gerente sentiu que a Maria fora uma grande contratação feita por ela, sabia que era difícil encontrar pessoas com este tipo de comportamento. De repente a gerente voltou à realidade e ouviu a pergunta da Carmem.

– Maria como você aprendeu isto tudo?

– Na verdade Carmem eu tive duas pessoas que sempre me orientaram, meu pai que trabalha há muito tempo em loja e foi passando sua experiência para mim, ensinou-me a não ter preguiça, a procrastinar e que o cliente deve sempre receber total atenção. O segundo foi meu primeiro patrão, uma pessoa que também me ensinou muito e ensina até hoje. Ele dava treinamento todos os dias às atendentes da loja de roupas dele, ensinou-me a entender sobre o mercado de moda, a pesquisar na internet, a ler revistas, a ver o que as celebridades ou as atrizes de novela estavam usando, pois aquilo poderia ser a moda mais procurada pelas clientes, então até hoje eu procuro seguir estas lições que eles me deram e ainda me dão. Até hoje sempre pergunto a eles sobre como devo proceder quando perdi uma venda.

– Maria, você me lembra como eu era quando comecei a carreira, eu não tive tantos mentores, mas tive uma patroa que me ajudou muito, ela às vezes era exigente demais, chegava perto de ser rude, mas ajudava sempre àquela pessoa que queria aprender. Assim eu fiz a faculdade, trabalhei muito lá e ela me orientou muito, treinou-me muito. Ela fazia cobrança diária dos meus resultados e de todas as outras atendentes. Era objetiva naquilo que esperava das atendentes, tinha todos os comportamentos desejados no atendimento e nas vendas escritos e entregou a todas no primeiro dia de trabalho, tratava aquilo quase que como um mantra da empresa dela.

– Bem, preciso voltar ao trabalho Maria, passo outro dia aqui para saber se há alguma novidade.

– Carmem, por favor, deixe-me preencher seu cadastro e, assim, se não se incomodar, envio e-mails ou telefono para falar das novidades.

– Claro Maria, mas tem que ser rápido pois meu tempo está acabando, pode ser o básico?

 

Continua…

 

Carpe Diem!

 

Celso Negrão

Consultor e Educador Corporativo

Espaço Vendas

Autor

Celso Negrão
Celso Negrão

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