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por Marcelo Prates – 

Vivemos loucamente em busca da satisfação de nossas necessidades básicas e de nossos desejos egoístas. Do nascer ao por do sol, o cotidiano se repete hoje quase como ontem e provavelmente, muito parecido com o amanhã. Alienados pela velocidade – sob pressão – e na superficialidade de nossas relações profissionais, afetivas e sociais perdemos nossa identidade e sentido. Sem perceber assumimos compromissos, que se fortalecidos pela clareza e consciência do propósito fundamental de nossa existência jamais aceitaríamos.

Faz-se importante para maior clareza conceitual a definição de comprometimento, que segundo Kiesler e Nakamura (1996) é “o sentimento de auto responsabilidade por um determinado ato, entendido como livremente escolhido, público e irrevogável”. O triste fato, facilmente percebível, é que já não sentimos a responsabilidade pelo que dizemos ou fazemos, pela expectativa gerada no outro e não satisfeita, pois, racionalizamos, manipulamos, justificamos e culpamos o tempo, o trânsito e na maioria das vezes, nosso próximo por nossa incapacidade em assumirmos a força criadora do nosso destino, o poder de decidir!

Segundo pesquisa realizada pelo Fórum de Assuntos Públicos dos EUA e citada no site www.gestaoerh.com.br, apenas 25% dos funcionários americanos acreditam estar comprometidos com seu trabalho, 50% fazem o mínimo possível só para manter seus empregos e finalmente, 75% declararam estar em condições de serem mais produtivos do que estavam sendo no momento. Isso sem falarmos em nossos compromissos pessoais e nas várias esferas onde o ato de comprometer-se é decisivo e central em nossa vida.

Porém, a questão é: O que faz com que pessoas dos mais diferentes níveis sociais e mesmo em diferentes culturas, não consigam cumprir seus compromissos assumidos explícita ou implicitamente?

Muitas são as respostas, podemos começar citando Maslow e sua hierarquia das necessidades, ou, Freud versando sobre o homem em sua busca do prazer e fuga da dor, até chegarmos a Victor Frankal e a necessidade de sentido na vida, sendo esta última perspectiva, talvez, a mais premente na sociedade contemporânea. Por outro lado, sofremos a ilusão do otimismo que se caracteriza por imaginar de forma fantasiosa e sem nenhum merecimento, que algo melhor vai nos acontecer, que seremos promovidos, encontraremos o amor de nossos sonhos e tudo vai se encaixar na hora certa em nossa vida. Também somos auto-indulgentes em relação a nossas falhas de caráter, mas, não perdoamos os pequenos deslizes do outro.

Perceba que os comportamentos citados relacionam-se com nossa incompetência em escolher e cumprir compromissos, incompetência esta que tem sua origem na imaturidade, irmã da inconsciência, inimiga oculta que esconde nosso passado, fragiliza nosso presente e pouco a pouco, destrói a vontade de realização de nosso potencial máximo; viver, amar e aprender.

Em tudo o que fazemos, ou, deixamos de fazer fica a clara expressão de quem somos, o que buscamos, e do que temos a oferecer. Podemos em um simples telefonema demonstrar integridade, sincera disposição de servir e também a ausência destas qualidades, transmitindo então fragilidade, desinteresse e submissão à própria fraqueza.

Quantas vezes você disse… Te ligo em cinco minutos… e não cumpriu com suas próprias palavras, ou, prometeu a solução de problemas sob sua responsabilidade direta e se esqueceu de seu compromisso com clientes e amigos sem refletir sobre o custo emocional de tempo, ou, dinheiro para todos os envolvidos, ou seja, para os que confiaram em você (empresa, clientes e parceiros).

Finalmente, por que muitas vezes, você se esquece de si mesmo colocando-se em segundo plano ao fugir do caminho que te faria feliz? Saiba que sua capacidade de estabelecer seu propósito fundamental de vida e de realizá-lo nesta existência passa antes pela reflexão das conseqüências de não cumprir verdadeiramente com compromissos firmados em todos os níveis e como isso, impede seu progresso humano e profissional.

Quando nossos atos desmentem nossas palavras alimentamos um ciclo destrutivo que afeta nossa vida de forma ampla e que nasce da incapacidade crônica de sermos íntegros e verdadeiros com nossos valores e projetos de vida, limitando a energia disponível em nós próprios e nas organizações para realizarmos nossa visão e proposta de valor para um mundo melhor.

Gostaria muito que, com máxima sinceridade, você avaliasse os seguintes pontos: Como fica a sua credibilidade profissional, a marca corporativa, os produtos e serviços de sua empresa e o clima organizacional quando pessoas não cumprem com os compromissos que voluntariamente assumiram e que vão progressivamente corroendo a credibilidade e a qualidade percebida de produtos e serviços?

Lembre-se que tornar tangível a qualidade de produtos ou serviços depende essencialmente da habilidade das organizações em construir credibilidade em toda a cadeia produtiva, do fornecedor ao cliente final e isso só é possível através de pessoas verdadeiramente comprometidas.

Também gostaria de alertá-lo que quando os compromissos mais simples não são cumpridos, dificilmente a empresa cumprirá os de maior importância, ou, aqueles imediatamente ligados ao seu “Core Competence”, que a diferenciam e justificam sua razão de existir. Estamos, neste ponto, nos referindo exclusivamente às conseqüências do problema no âmbito organizacional.

Mas alguém pode argumentar que se as coisas derem erradas e se a credibilidade se perdeu, sempre é possível ter uma segunda chance, mudar de emprego, de cidade, encontrar um novo relacionamento, ou, cliente e pensando bem, talvez exista alguma razão neste argumento, pelo menos até aqui.

Agora, reflita sobre esta consideração final: Como fica a confiança em si mesmo e em sua capacidade de superação, quando enfrenta os desafios e adversidades inerentes à vida e vivência situações críticas que não pode postergar ao constatar que já não acredita no que diz? Como poderá ajudar a si próprio e a outros, quando a frouxidão de caráter se tornar evidente? Como você reagirá frente a obstáculos só transponíveis com coragem, fé e determinação, que estão disponíveis apenas para quem as exercitou ao longo de uma vida íntegra, de trabalho duro frente às próprias limitações com humildade e perseverança.

Estas são as conseqüências que enfrentará todo aquele que se fizer fraco frente a si mesmo, sentindo na superfície da pele e nas entranhas da alma o esgotamento inexorável do tempo e das oportunidades.

Agora lhe proponho um exercício, faça-o após ler este artigo!

Hoje à noite, antes de dormir, vá para frente de um espelho, respire profundamente, olhando no fundo de seus olhos e pergunte a si mesmo: Tenho sido digno do presente que recebi de Deus, digno dos meus companheiros de jornada, das oportunidades e das dores a mim confiadas e mais do que tudo, digno da vida que sempre espera por mim? Exerço minha liberdade escolhendo com responsabilidade meu trabalho, meus amigos e o meu caminho, pois, refletem verdadeiramente meu compromisso de vida?

Estas reflexões que lhe proponho subvertem a ordem, normalmente utilizada nas organizações, onde a empresa é que tem por objetivo criar a cultura que favoreça o comprometimento do colaborador.

Do meu ponto de vista, que é complementar ao desenvolvido nas empresas, trabalho com o indivíduo, pois, é nele que está o potencial máximo a ser descoberto. Assim espero que juntos possamos, após o encontro com nosso verdadeiro sentido e missão, compreendermos em mente e espírito o poder transformador da fidelidade e do compromisso e respeito à vida, pois, direcionam conscientemente nossa existência para a manifestação de nossos talentos únicos.

Se você ainda não fez, assuma neste momento sua força maior, sua responsabilidade na construção do bem comum pelo poder de suas palavras e principalmente, de seus atos. Seja o artífice da obra, artesão do destino, criador do mundo, pois, a felicidade que espera por você, só lhe pede… Compromisso, Verdade e Luz!

Marcelo Prates
Graduado em Administração de Empresa, Mestrando em Estratégia Empresarial pela Universidade de São Paulo (USP), especialista em Marketing Estratégico pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), com MBA em Gestão de Equipes de Alto Desempenho pela Fundação Getúlio Vargas e Ohio University. Prates é palestrante corporativo e consultor da Microlins SAT, com palestras ministradas em português, inglês e espanhol. Além disso, é professor de pós-graduação, na área de negócios.
Email: marcelo.prates@aprendendoavencer.com.br

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