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Minha infância precisou da natureza para que a minha essência pudesse ser livre e atemporal. Cresci brincando sob a sombra das árvores, elas eram livres para crescerem no seu tempo, meus brinquedos eram retirados do material que natureza descartava. O barro era precioso, pois com ele moldava o imaginário e, com os galhos caídos pelo vento, construía meus carrinhos de mão e demarcava a parede das minhas casinhas.

Eu brincava num pátio que oferecia um espaço do tamanho de um parque de diversão, nele eu podia ser livre para criar um mundo perfeito. Não havia cobrança quanto à performance, a roupa ideal, a imagem impecável, ou beleza extrema na aparência.

Não havia padrão de beleza, competição, ou comparação com outras crianças. Minhas escolhas eram livres e só finalizavam quando o sino da igreja, distante a 4 km, badala 18hs, e o rádio da minha mãe em alto e bom som, transmitia o programa: Hora do Anjo, onde a oração Ave Maria, abençoava meu pátio, minhas plantas, flores, terra e tudo o que eu amava, para anunciar que era hora de olhar para o horizonte e visualizar o por do sol. Era hora de dizer até amanhã para as folhas, árvores, o barro, passarinhos e tudo que me acolhia, enquanto minha liberdade podia ser usufruída.

Era hora de entrar em casa, a escuridão estava abrindo seus braços para noite, sinalizando que o banho, a janta e a cama me esperavam.

É claro que no cenário da noite meus pais me esperavam para cuidar de mim, para que eu pudesse descansar com aconchego e segurança. Eles sabiam que quando amanhecesse, o pátio que contornava a casa, seria pequeno, para que um anjo (sim, eu era uma anjo) brincasse e interagisse com toda a sabedoria que vinha da natureza.

Meus pais expiavam pela janela a felicidade que transbordava em uma criança que só queria estar junto à natureza.

Lembro que o lanche vinha ao meu encontro, pois na minha atemporalidade, não fazia isso por mim. Simplesmente esquecia.

Felizmente, quando se é anjo, outro anjo, sempre está à espreita para oferecer alimento e fortalecer o corpo físico. Minha mãe, um anjo, zelava pelo meu bem estar enquanto eu, criança, flutuava, atarefada, em meio a fadas, duendes, flores, aromas e muito mais.

Essa sou eu adulta, uma criança que sonha, idealiza, flutua, acredita em anjos, trabalha em direção à natureza, movida pela essência, uma adulta que reconhece a beleza nas pessoas, que escolhe como missão de vida, a missão que sua criança já manifestava. Uma adulta que reconhece o poder do espírito milenar da sua criança interior e que entende, que juntas, criança e adulta, poderão expandir a liberdade de ser quem devemos e, queremos ser. Entende que não devemos ser o que alguém destinou que fossemos.

Obrigada mãe e pai, meus anjos, que me deram uma casa para brincar minha liberdade.

Hoje sigo ensinando pessoas a serem livres para viverem em consonância com sua missão espiritual.

Esta lição me foi passada a nível inconsciente enquanto mergulhava no verde e no silencio que cercava minha casa. Minha criança interior nasceu no lugar certo.

Fecho os olhos e respiro a natureza, assim me conecto com o divino que sempre brincou em mim enquanto brincava na natureza.

Eu sou o divino, ele está aqui, agora e sempre.

Que assim seja!

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