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“Se você construiu castelos no ar, seu trabalho não precisa se perder, é aí que eles deveriam estar. Agora coloque as bases debaixo deles”.  Henry Thoreau

       Muitos me perguntam quando comecei minha carreira de Escritora, eu costumo gaguejar, falar palavras soltas, afinal não há uma resposta exata. Não sei o dia, a hora, muito menos o minuto.

     Ao ler a frase de Henry Thoreau, encontrei a resposta. Hoje respondo com convicção que minha carreira começou há alguns anos atrás. Um tempo feliz em que costumava construir muitos castelos no ar.

     A janela do 5º andar do Edifício das Clinicas é culpado pela construção de tantos castelos.

     Ocorre que uma das paredes do meu consultório, era toda de vidro, portanto a vista do por do sol era panorâmica. Costumava apreciar diariamente, as nuances das cores que enfeitavam minha realidade.

     Era tão lindo que sentia inspiração para sonhar. Uma imagem recorrente me perseguia.  Eu me via debruçada sobre um púlpito. Nele explanava sobre o conteúdo das minhas obras.

      O por do sol me inspirava a ver uma plateia ávida por palavras de crescimento emocional. Foi assim, em um dia de chuva, de forma aleatória, olhando para uma janela que chorava lágrimas, que resolvi escrever sobre a dor e o prazer de se viver cenários interiores diferentes a cada dia.

     Nem sempre temos o sol ou a chuva, nem sempre a claridade ou a escuridão, nem sempre a força ou a fraqueza, nem sempre a preocupação ou leveza, nem sempre.

     Divagando sobre os mistérios da vida eu comecei a construir castelos. Investi muito tempo no ato de escrever.

     À tardinha fechava o consultório para os pacientes e, abria a janela para voar em letras, palavras e papéis. Sim, devo dizer que escrevia tudo manualmente, e depois passava para minha secretária digitar. Ela ficava encantada com o que lia, e eu, cada vez mais construía um mundo paralelo, um mundo que esquecia o tempo, e que permitia uma liberdade infinita para minha alma.

     Reconheço que fui muito inteligente na estratégia de sonhar, afinal eu trabalhava durante o dia e quando a noite chegava, fazia o terceiro turno, escrevendo.

     Happy hour, nem pensar, academia, de vez em quando, compras após o expediente, raras vezes. Apenas esperava o por do sol para dar vazão a um talento. É bom lembrar que este talento não tinha utilidade nenhuma para aquele momento profissional que eu vivia.

     Bem, passaram-se mais de 17 anos, a janela do consultório já foi substituída, por um cantinho, no sofá da minha casa, a hora de escrever mudou para as 6hs da manhã, não mais às 18hs, constituí uma família linda que aprecia muito minha companhia, sendo assim passei a escrever olhando relógio.

     Alicerces fortes para os meus castelos foram construídos há exatos seis anos. Entendi que meu computador não suportava mais acumular tanta escrita, ele praticamente gritava: Coloque as palavras a andar! Jogue para o universo! Pare de esconder estes tesouros! Solte e abra espaço para novas palavras!

     Foi o que fiz, criei coragem, e desejei ardentemente lançar um livro. Queria testar a sensação de segurar o púlpito e falar do conteúdo que constava na obra.

      Parece que Henry Thoreau se dirigiu a mim na parte final de sua frase: “Agora coloque as bases debaixo deles”.  Vamos lembrar a frase na íntegra?

 “Se você construiu castelos no ar, seu trabalho não precisa se perder, é aí que eles deveriam estar. Agora coloque as bases debaixo deles”.

         Sendo assim, o tempo passou, eu passei por várias experiências, mas nunca deixei de sonhar com o púlpito. Quando juntei sonho e ação, a vida aconteceu. Sim, meus livros nasceram e deram vida a mim e as palavras, até então enclausuradas no meu computador. Hoje já são oito obras, e mais uma em andamento, inúmeras feiras de livros, Bienal do Livro de São Paulo, Bienal do Rio, obra lançada na Europa, artigos publicados em cinco países, e muitos palcos para falar e expressar palavras que conduzam a liberdade emocional e ao empoderamento essencial.

     Sim, é preciso sonhar e acreditar que o tempo está nos conduzindo com sabedoria, ao caminho certo. Mas eu pergunto: Para onde o tempo poderá levar alguém se não houver um sonho nas nuvens? Como construir bases sólidas sobre nada? Tudo começa quando tem que começar e, tudo chega ao topo no tempo certo.

         Então, só para reforçar:

         – Quando comecei minha carreira de escritora? Quando comecei a sonhar castelos no ar, há dezessete anos atrás.

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